O dia de amanhã
Quando bebê, não entendia o que se passava à minha volta, e não era capaz de compreender a felicidade e a alegria que ganhava de meus pais neste dia. Um pouco mais velho, mas ainda molecote, ganhei de presente um autorama, uma bicicleta, alguns bonecos do Comandos em Ação, um skate e até uma pistola Zillion. Na adolescencia, já me sentia um homem, mas ainda era visto como uma criança por meus pais, que insistiam em me dar os parabéns, e sempre compravam uma roupa nova para me dar de presente. Alguns anos depois de entrar na faculdade, meus pais finalmente entenderam que eu já era um homem formado,mas o espírito de criança ainda era latente em minha alma e passei a comemorar tal dia com viagens à Ilha Grande. Sempre regadas de várias trilhas, passeios, cachaça e, por que não, brincadeiras. Depois de seis anos de viagens consecutivas à Ilha Grande, me vejo viciado por uma sociedade que nos força a abandonar a parte boa da vida, como se isso fosse parte de nosso crescimento pessoal, e me impede de matar dois dias de trabalho para comemorar o dia das crianças. Este sentimento me faz perceber que não devemos deixar morrer a criança que há dentro de nós, e que devemos sempre aproveitar ao máximo os momentos em que podemos brincar, pois a cada dia eles são menos frequentes.
